Americanos provam o remédio amargo do arrependimento. LGBTQs são algumas das primeiras vítimas da verdadeira face de Donald Trump.

Essa semana vimos um exemplo que serve ao mundo, de que votar inconscientemente é entregar sua vida e seu país a um desconhecido com Poderes enormes. Num mundo onde a insegurança e a ignorância imperam, a decisão mais razoável é escolher dos males o menor. Em outros termos, o “menos pior”.

Você quer trabalho, quer que seus filhos tenham segurança nas ruas, quer qualidade de vida e quer ter atendimentos dignos em hospitais, escolas e delegacias. E isso é um direito seu.  Semelhantemente a população negra precisa ser tratada com dignidade, precisa ter reconhecida a disparidade de acessos a políticas públicas, historicamente construída sob o preconceito secular que sofre. As pessoas com deficiência devem e merecem acessibilidade em todos os sentidos. Ter valorizado a sua capacidade de produzir para si mesmos e para a sociedade, precisando apenas de alguém que se atenha a isso. Direito dos LGBTQs também é serem respeitados por sua orientação sexual e identidade de gênero. Achar um candidato que concilie tudo isso numa proposta sólida é cada dia mais difícil, mas não é impossível.

Há que se acompanhar o discurso e a vida de seu candidato(a). Se você passa a ser mais observador e menos apaixonado, você consegue com certa frequência distinguir o que ele diz por ser convicção sua, ou simplesmente por querer o teu voto apenas.

Donald Trump é um político bem simples de se decifrar. Seu histórico, personalidade explosiva e pouco política, já antecipavam que seu futuro governo seria rígido e hermético. Agora, os eleitores LGBTQs do empresário constatam que seu problema com a militância organizada nos EUA não era e nunca seria mais importante que seus direitos. Toda, absolutamente toda militância, invariavelmente terá seus “pecados”, seus excessos. Contudo, se as pessoas que são o alvo positivo daquela marcha se unirem para pensarem juntas no que querem para seu futuro, os fanáticos são abafados pela maioria quando ela estiver coberta de razão.

Trump decepcionou milhões de LGBTQs que o elegeram querendo um político que não fosse um militante 24 horas de seu dia, mas será que o que eles de fato queriam era um anti-militante? Alguém que desde que assumiu seu posto, de certa forma e sem exageros, dedica-se a desconstruir e apagar da história os avanços do Governo anterior, o Governo Obama.

Agora a população americana começa a notar que sua escolha foi equivocada. Que o desespero, a raiva e a angústia não são bons conselheiros. Eleger Donald Trump foi um dos maiores erros na história democrática daquele país.

Contam com um Presidente homófobo, que nutre preconceitos dos mais diversos além da própria homofobia, como a de gênero (machismo), de identidade de gênero, regional, chenofobia, preconceito religioso, etc, e que além de ignorância dos princípios políticos mais básicos, ainda se dá a discutir com anônimos e pessoas famosas nas redes sociais. Esse é o líder que os americanos entregaram o comando de suas vidas pelos próximos quatro anos. Mais que isso, esse é um erro não de Donald Trump, uma vez que a verdade de seu modo de ser estava estampada em suas falas e atitudes há um bom tempo, mas um erro de quem o elegeu.

Estou sendo duro? Espero que não menos do que pretendo ser com esse texto. Espero que saibamos que somos responsáveis pelos políticos que elegemos. Literalmente culpados e partícipes do mau feito. Uma vez que um de nós pode muito bem deixar-se enganar pela fala contundente, eloquência e carisma, somos sim suscetíveis ao erro. Mas quando a maioria de uma sociedade se engana, não há equívocos inocentes. Há que se adimitir o erro e a culpa, trabalhar no seu âmago para identificar onde o erro começou, afim de que isso jamais se repita.

Ano que vem, haverá eleições no Brasil. Iremos às urnas escolher Presidente da República, Governadores, Deputados Federais e Estaduais, além de Senadores. Existe uma clara tendência de que o próximo Governo, seja de qual vertente for, tangirá a ser autoritário. E você, que é LGBT ou não, que é pai, mãe, filho, cidadão, é chamado a responsabilidade de eleger para si mesmo e para toda uma nação, alguém que nos governará pelos próximos 4 anos. Se tem alguém em mente, pense bem se você, fosse um empresário, poria essa pessoa com plena confiança para cuidar de seus negócios. Mais que isso, essa pessoa cuidará, de seus negócios, de sua segurança e de sua família, de sua educação e de seus filhos, e queira você ou não, ela cuidará de seus direitos, da estabilidade de sua vida e de quem você ama. Por isso, em vez de perder tempo em debates calorosos em amor a um candidato pela beleza de suas palavras, ou simpatia de ideias. Comece a pensar com o sentimento de quem irá escolher não o melhor candidato para nosso país, mas o menos ruim, dentro do possível.

De outro modo haverá arrependimento. E se tivermos sorte, o arrependimento ainda será o menor dos problemas que teremos, se eleito(a) alguém incompetente para governar a si mesmo ou a um país inteiro.

Karlos Souza

Nascido em Montes Claros/MG em Janeiro de 1987, morador de brasília desde 2004, estudou Letras e literatura, mas sua paixão sempre foi a tecnologia. Fazendo um pouco de tudo, Karlos estudou também teologia e aventurou-se em escatologia. Fora das ciências humanas, também tem como hobby o estudo de astronomia e cosmologia, além de história e ciência política. Mesmo com tantos aspectos aparentemente difusos, ele consegue encontrar harmonia no significado que dá a todos eles e as devidas ligações que constrói para desenvolver seus artigos com base nesses assuntos.Trabalha atualmente na área de atendimento ao cidadão e é editor do blog Celentor.com.