Bomba! Ressurge questões sobre relação entre Fachin e Ricardo Saud.

Veio à baila essa semana um fato que pode causar um desconforto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e também ao seu ministro relator da operação Lava Jato, ministro Edson Fachin. Artigo publicado no jornal O Globo pelo colunista Jorge Bastos Moreno, descreve a  admissão do jurista Fachin em ter solicitado ajuda de Ricardo Saud e da JBS para convencer Senadores a apoiá-lo em sua campanha para tornar-se ministro do Supremo em 2015. A grande questão é como Fachin pode celebrar sem impedimentos, a homologação dos acordos de leniência da JEF e JBS, e os de delação premiada de Ricardo Saud, Joesley e Wesley Batista.

O escandaloso acordo de delação dos irmãos Batista nada tem a ver com Edson Fachin, a não ser pela anuência dele em homologá-lo, e isso é fato. Mas o que se questiona é o impedimento. Ele existe? Uma vez que contou com a ajuda daquele que dizia até bem pouco tempo “ser dono da maior bancada do Congresso Nacional”, Ricardo Saud, o agora Ministro em grande parte graças a ele, Fachin, pode decidir sem impedimentos questões relativas à ele e às empresas que estão em acordo de leniência?

 

Ministro Edson Fachin durante sessão plenária do STF que julga o foro privilegiado. Crédito: Carlos Moura/SCO/STF
Ministro Edson Fachin durante sessão plenária do STF que julga o foro privilegiado.
Crédito: Carlos Moura/SCO/STF

Eu não tenho dúvidas que não. Diferentemente dos impedimentos malucos que o Procurador Geral da República enxergou entre Gilmar Mendes e Eike Batista, cuja relação não existia, houve relação direta entre Fachin e os maiores líderes da JBS. Não há como o ministro decidir nada, ainda que do modo mais imparcial possível, sem levantar questões de parcialidade. NÃO existe nenhum crime em ter pedido apoio da JBS para ser referendado pelos senadores como  Ministro do Supremo. E é bom que isso fique claro. Mas as forças que querem o caos no Brasil, muito próximas do Sr Procurador da República, parecem não se importar entre apenas conhecer um bandido e fazer parte de uma organização criminosa. Tanto que para muitos deles, basta apenas conhecer algum dos citados nas delações, para tornar-se automaticamente investigado. Portanto, para não gerar um clima desnecessariamente desagradável dentro do STF e na sociedade, seria primordial que Fachin cedesse a relatoria para sorteio e se declarasse impedido.

Outra frente na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ) já pediu ao  ministro que esclareça  sua relação com o delator Ricardo Saud e as empresas JBS e JEF. Só por isso já vemos que não importa mais os fatos, nmas o que as pessoas acham deles. E lá atrás, quando aceitou a delação irregular de Joesley Batista, Edson Fachin colaborou para que o falatório vazio fosse mais importante que os fatos.

Eu acredito que o Ministro, como ele próprio afirma, não sabia que os empresários eram tão criminosos o quanto diziam boatos em bastidores, mas agora que sabe, não pode fechar os olhos  e agir como se fosse tão simples admitir contou com a ajuda dos grupos mas que isso foi no passado. Se tem algo que a Lava Jato nos ensina bem, é que o passado importa.

 

Fontes: O Globo, Folha de S. Paulo e Estadão.

Karlos Souza

Nascido em Montes Claros/MG em Janeiro de 1987, morador de brasília desde 2004, estudou Letras e literatura, mas sua paixão sempre foi a tecnologia. Fazendo um pouco de tudo, Karlos estudou também teologia e aventurou-se em escatologia. Fora das ciências humanas, também tem como hobby o estudo de astronomia e cosmologia, além de história e ciência política. Mesmo com tantos aspectos aparentemente difusos, ele consegue encontrar harmonia no significado que dá a todos eles e as devidas ligações que constrói para desenvolver seus artigos com base nesses assuntos.Trabalha atualmente na área de atendimento ao cidadão e é editor do blog Celentor.com.