A turma de Janot se esforça para trazer Lula ao poder. E com apoio da direita, quem sabe consigam.

Hoje estava eu assistindo o jornal Bom Dia Brasil na TV Globo, e qual não foi a minha surpresa nada surpreendente? A emissora continua proclamando a “inevitável” queda de michel Temer )PMDB),  do cargo de Presidente. Talvez derrubado pelas confissões misteriosas mas nem tanto, do ex-deputado Eduardo Cunha, agora outro delator, ou pelo desembarque em massa dos partidos da base aliada, liderado pelos urubus, digo, tucanos, PSDB.

Que as organizações Globo já estão animando a torcida do Proprietário Geral da República, Rodrigo Janot, isso não é novidade. Novidade é que a direita ruminante e o tucanato esteja cogitando seriamente aderir ao partido dos salvadores da pátria! Ora vejam, se Temer cair, quem poderia ocupar seu lugar? Rodrigo Maia (DEM-RJ) com seus dois inquéritos na Lava Jato? Imagino que se ele pelo menos ousar tal ensejo, haverá quem lembre-o  de “seu telhado de vidro”. Afinal, o que se brada nos comentários de notícias e páginas de Facebook  em  militância  pela queda do atual Presidente não é o combate à corrupção? Como então permitir que saia Temer, acusado de corrupção passiva e por-se-ia alguém em patamar semelhante  no seu lugar?

Dep. rodrigo Maia (DEM-RJ), Presidente da Câmara.
Dep. rodrigo Maia (DEM-RJ), Presidente da Câmara.

Alguém pode dizer:  Mas Maia é inocente até que se prove o contrário.” E de fato está correto. Porem isso importa? Quem  defende a saída de Temer importa-se com a condição imposta pela própria Constituição Federal que indica sobre a necessidade do trânsito em julgado, para que alguém seja penalizado conforme estabelecido em lei referente aos crimes dos quais fora condenado?

De forma alguma isso conta. Muito embora deveria ser relevante, como é nos países democráticos e sérios.  O discurso do Sr. Procurador geral, dos seus subordinados no Ministério Público Federal (MPF), Deltan Dallagnol e Carlos Fernando, e dos  minions que se consideram militantes anti-corrupção, é que a política em massa está manchada pelo crime. A solução, segundo eles,  é que todos sejam punidos.

Certamente o ideal é que os até então suspeitos se eventualmente condenados, que sim, sejam penalizados conforme estabelece a Lei. Contudo, e quando não se investiga? E quando a palavra de um delator confessamente criminoso, vale mais que qualquer outra coisa? O que se esperar? Delações que deveriam servir como ponto inicial para descoberta de criminosos e de seus crimes, hoje são compulsoriamente investigação, provas e condenação, antes que o inquérito sequer tenha sido aberto.

Para quem enxerga além do comumente divulgado, e vê o que está em curso, sabe que a turma  não se conformou com o impeachment de Dilma Rousseff (PT), que ocorreu a priori  devido à existência de provas materiais que houve crime de responsabilidade praticado pela petista. E em segundo lugar, o trabalho de investigação da Lava Jato em Curitiba, que revelou o esquema criminoso de assalto ao Estado usando a Petrobrás como ferramenta de lavagem de dinheiro e desvio de recursos. O crime de responsabilidade foi o primordial para o impeachment, o escândalo envolvendo os aliados daquele governo fez justamente que a Presidente perdesse o apoio necessário para manter-se no Planalto.

STF1 BSB 15 03 2017 NACIONAL STF/JANOT O procurador Geral da Republica, Rodrigo Janot, durante sessao no plenario do Supremo Tribunal Federal. FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Enquanto o PT era humilhado por meio de alguns de seus membros de moral duvidosa, Janot nada podia fazer, a não ser dar seguimento ao que era encaminhado pelas investigações. Tão logo o PT perdeu o poder,  saiu o livro de Dallagnol, onde o procurador pop star cogita que a queda de Rousseff teria sido parte de um plano para derrubar a Lava Jato. Aquela história que ele conta onde a operação mais importante da história desse país, de algum modo é tão frágil que políticos poderiam fazer algo para prejudicá-la. Esquece-se porém de informar de que jeito. Aliás, ele nunca deu sequer um exemplo. Como tudo que se quer o ódio da população, basta ligá-lo ao suposto “intento de barrar a Lava Jato”, é suficiente para que em cautos se engajem nessa tese absurda.

Com a inevitável revelação que políticos do PMDB também se beneficiaram e muito, com o esquema de corrupção, foi o ponto de partida para que a turma começasse a ver cetas reluzentes entorno do Presidente. Nem de longe o relacionamento de Temer com Joesley Batista beira o mesmo em relação ao empresário e o ex-presidente Lula. Graças ao petista o grupo JBS cresceu e se tornou o que é hoje. Mesmo assim, Temer fora apontado por Joesley como o líder da organização criminosa mais perigosa do país. O mesmo que está no governo há pouco mais de um ano, no entanto conseguiu superar Lula em 13 anos de Governo petista e se tornar o “cabeça da quadrilha”. Quanta eficiência!

Há algum tempo eu vi e não fui o único, que essa trama iria colocar o PT e o próprio Lula de volta ao jogo. Inclusive fiz um post inteiro sobre o assunto. E como não tenho dons de premunição, só pode haver um significado, que eu não estava equivocado, infelizmente.

A turma grita: “corruptos!” Janot, Carlos Fernando  e Dallagnol inflamam a massa e seduzem a imprensa. Mesmo sem provas de crime, Michel Temer se vê cercado. E agora o segundo maior partido na base, o PSDB, da sinais que pretende desembarcar. Ora, partido com  tantos políticos correligionários envolvidos em denúncias, inquéritos e citações, mesmo assim acha-se no dever de “desvincular-se do  governo Temer”? Afinal são tucanos ou ratos, aqueles que abandonam um navio naufragando? Com efeito o PSDB, se fosse um partido com alguma maturidade, seria crucial para delinear uma  base sólida e manter com folga o número de votos necessários para que a denúncia contra o Presidente não prospere. Diferente da situação de Dilma, a denúncia contra o atual líder do executivo é muito fraca, carece de materialidade e  evidências.  Seria fácil rejeitar essa denúncia, a qual já disponibilizei para download, simplesmente constatando o quão pobre ela é.Contudo, a sedução de poder de subir sobre a “lápide política”  do peemedebista e tentar faturar a posição de “solução estilo organizações Tabajara”, parece falar mais alto nesse momento ao tucanato.

O Presidente Michel Temer.
O Presidente Michel Temer.

Assombroso que logo o PSDB seja uma nova peça para o time dos que querem o retorno do petismo ao comando do país. Se o Brasil está na crise em que está, isso deve-se à má gestão dos Governos Lula e Dilma. Em um ano de governo, Michel temer, que não é nenhum herói ou algo assim, conseguiu aprovar medidas de recuperação para o sistema elétrico, destruído por dilma Rousseff, conseguiu aprovar um limite de gastos no orçamento, aprovou mudanças no ensino médio, recuperou a Petrobrás assaltada e manchada pela corrupção, aprovou também medidas importantes para a política externa brasileira, que fez com que o país inaugurasse novos laços comerciais com demais países. Em pouco tempo, o governo “tampão” fez muito, e justamente por ser transitório, tinha a oportunidade única de aprovar pelo menos a reforma na Previdência.

Sozinha, a Previdência consome cerca de 57% da receita da União, gastos que tendem naturalmente a crescer. Sem reforma, a previdência é uma bomba relógio que irá explodir na mão de todos nós em breve. E você acha que se Temer, que como eu disse, é um governante “tampão”, não fazer aprovar essas reformas, alguém irá? Dos possíveis presidenciáveis, Bolsonaro, Ciro Gomes, Lula, Marina e o carinha do PCO, qual ou quais deles você acredita que seja  a favor de reformas? Eu respondo, nenhum. E mesmo um tucano que eventualmente seja favorável. Você acha que alguém iria propor em campanha aprovar reformas na previdência?

Temer tem a oportunidade e tem a base necessária para fazê-lo. Mas está sendo impedido graças a uma acusação que até o momento, não tem sequer uma única prova convincente. E acredite, se houvesse ao menos uma única prova confiável e sólida, valeria a pena sim causar com efeito mais sério uma investigação contra o Presidente. Por hora, o que há, é uma série de contos de Joesley endossado  pela turma de Janot.

Se acaso o Presidente cair, é uma ilusão pretensiosa de qualquer um que assuma seu lugar, não sendo o Lula, note bem, que conseguirá governar pelo menos seis meses em paz. Seja quem for que assumir o Planalto, o fará sob investigação do MPF e da Polícia Federal (PF). Seja quem for, terá fungando em seu cangote Janot, que não se contém de vontade de ver entronizado o petismo novamente.

A tendência quase imediata será um exponencial crescimento pelo movimento das “diretas Já” [o que para mim é uma estupidez imensa, já que vivenciamos atualmente eleições diretas], agora com força para conseguir pressionar o Congresso a aprovar PECs, quantas forem necessárias para promover esse absurdo.

E havendo eleições diretas nesse momento, quem você acha que seria eleito?

O personagem Lula Molusco.
O personagem Lula Molusco.

Com efeito Lula sabe que será condenado pelo juiz Sérgio Moro em primeira instância. Recorrerá em liberdade, e quer tornar-se Presidente antes de ser condenado eventualmente em segunda instância. Se eleito for, os processos contra ele são suspensos até que seu mandato termine, conforme estabelece a Constituição, onde prega que um Presidente não pode responder por fatos estranhos à sua função. Isto é, fatos que tenham acontecido fora de seu período de mandato vigente.  Entende, caro leitor,  o porquê de tanto empenho do PT, PCdoB, PSOL e Rede (que cada dia que passa é mais petista que o próprio PT)?

Quanto à delação de Eduardo Cunha, não é preciso ser paranormal para  saber que o MPF só aceitará uma delação de Cunha se ele implicar Michel Temer de modo a corroborar Joesley, ou colocar o Presidente em uma teia mais densa. Por isso, se vazada a delação do ex-deputado, e não duvido que seja, já que isso se tornou um método de terrorismo político muito eficiente, certamente ela deverá ter algo contra Temer, Dilma e Lula. De outro modo os procuradores  nem leem.

nesse cenário, os tucanos não aguardarão nem 24 horas para iniciarem um teatro de novos santos do Congresso nacional e desembarcarem do Governo. É questão de tempo para que os demais decidam o mesmo.

Vejamos como será; Tudo depende de Eduardo Cunha, irônico, não?

Karlos Souza

Nascido em Montes Claros/MG em Janeiro de 1987, morador de brasília desde 2004, estudou Letras e literatura, mas sua paixão sempre foi a tecnologia. Fazendo um pouco de tudo, Karlos estudou também teologia e aventurou-se em escatologia. Fora das ciências humanas, também tem como hobby o estudo de astronomia e cosmologia, além de história e ciência política. Mesmo com tantos aspectos aparentemente difusos, ele consegue encontrar harmonia no significado que dá a todos eles e as devidas ligações que constrói para desenvolver seus artigos com base nesses assuntos.Trabalha atualmente na área de atendimento ao cidadão e é editor do blog Celentor.com.