Procuradores pop stars se revoltam com jornalista que expôs questão controversa da entrada de Dallagnol no MPF.

Após o jornalista Reinaldo Azevedo da Band News ter publicado matéria em seu blog que informa questões controversas pelas quais o procurador do ministério Público Federal (MPF) e coordenador da operação Lava Jato, Deltan Dallagnol teria usado uma decisão liminar para participar de concurso público que o habilitou ingressar no órgão, o próprio procurador e seu amigo Carlos Fernando vieram a público com insultos e indiretas para tentar responder as indagações.

A notícia foi publicada nesta segunda feira (24/07) e gerou um certo desconforto ao procurador que passa considerável tempo nas redes sociais criticando “manobras de temer para se manter no poder”. Usando a bandeira do combate à corrupção , Dallagnol não se intimida em apontar ações deste ou daquele político, quando as considera anti éticas, imorais, e por vezes, criminosas. Contudo, alguém foi ao passado e resgatou uma manobra do próprio Procurador para entrar no órgão do qual é hoje orgulhoso membro. Cabe ressaltar que Deltan  não o fez ilegalmente, mas apenas “manobrou juridicamente” de modo que um dispositivo legal fosse contrariado afim de que ocupasse o cargo que viria a ocupar. Explico:

Na matéria que você pode ler integralmente por esse link, o jornalista conta que Deltan veio a concluir a formação acadêmica no ano de 2002. No mesmo ano, o então recém formado Dallagnol entrou com uma petição judicial para que pudesse concorrer em concurso  público ao cargo de procurador. Não haveria necessidade de pedidos à justiça se o concorrente estivesse portanto apto a participar do processo, contudo, segundo estabelece a lei complementar nº75  de 1993, é preciso que o cidadão aguarde o prazo mínimo de dois anos  após sua formação para que somente após esta quarentena, ele  pleitei uma vaga no Ministério Público, em qualquer uma das esferas de atuação daquela instituição.

Em decisão liminar, a justiça autorizou que ele concursasse. Deltan foi aprovado com boa colocação e foi aceito no Ministério Público Federal já no ano seguinte, em 2003. No entanto houve recurso da Advocacia da União à Justiça Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre, que embora admitisse a incompetência técnica do magistrado de primeira instância na liberação da liminar que beneficiou o candidato, não iria cancelar os efeitos advindos de tal decisão baseando-se no princípio do fato consumado. Dallagnol já era um membro do MP e já atuava na instituição.

O fato é que o procurador não deveria ter participado daquele concurso, por não estar apto na época para isso. Mas usou um artifício jurídico  e foi beneficiado com a decisão favorável que recebeu. Competente ou não, foi uma ação contrária ao que estabelecia a legislação vigente. Mas a moral inquisitora do hoje procurador, não o impediu de passar por cima da regra em beneficiar-se a si mesmo.

Como a vida tem dessas coisas, hoje ele critica as manobras políticas  de certos parlamentares e mesmo do Presidente da República para obter vantagens. Porém enfureceu-se totalmente quando alguém constatou que houve uma pequena manobra feita por ele no passado para ingressar na carreira que desempenha hoje. Ironia? Não sei, mas posso concluir que a vida sabe contar boas piadas.

Ontem mesmo o procurador emitiu uma nota em repúdio  a matéria jornalística. Leia essa nota clicando aqui. Em resumo, afirmou que a divulgação era com o intuito de atingir a Lava Jato atacando um de seus membros mais evidentes. Tentou fazer parecer que a intenção era colocar em cheque a credibilidade da liderança da operação, colocando em suspeição sua reputação, o que é uma inverdade.

No texto Dallagnol não refuta nenhuma das afirmações de Azevedo, pelo contrário, repete exatamente tudo o que foi dito na matéria. Acrescenta unicamente que fora aprovado no concurso público que participara com uma das melhores colocações do país. Esqueceu-se no entanto que em nenhum momento o jornalista colocara em cheque a competência do procurador, mas sim o seu critério de julgar atitudes éticas e criminalizar ações morais complexas.

Deltan possui um critério moral rigorosamente hermético. Ele aborda assuntos que não são da competência de um procurador da República e incentiva a seus seguidores, que não são poucos, a “fazerem algo” para  que a situação no país mude. É de se imaginar que alguém que se coloca em evidência seja notado e tenha sua vida exposta. Isso é natural. Imediatamente suas atitudes passam a ser avaliadas. E não raro, as pessoas começam a medi-lo com a mesma régua com a qual você mede os demais. Fora tão somente isso que o procurador sofreu. Uma medição com exatamente os mesmos critérios e rigor pelos quais Dallagnol afere os outros.

Também na noite de segunda feira, seu amigo e colega no MPF,  o também procurador Carlos Fernando, conhecido pelo seu temperamento respondão, resolveu manifestar-se partindo para o literal ataque. Sem rebater com uma única menção na lei, ou com qualquer dispositivo legal, Fernando resolveu desdenhar da carreira do jornalista, chamando-a de “decadente”, e usar insultos mais criativos como “cães que latem”. Algo que não se espera de pessoas que se colocam como exemplos da moralidade. A manifestação que considero como um chilique, você lê por esse link.

Veremos um dia essa turma agir com tanta energia para trabalharem seriamente, ou continuaremos a vê-los causando situações vergonhosas ao Ministério público? O tempo dirá.

Karlos Souza

Nascido em Montes Claros/MG em Janeiro de 1987, morador de brasília desde 2004, estudou Letras e literatura, mas sua paixão sempre foi a tecnologia. Fazendo um pouco de tudo, Karlos estudou também teologia e aventurou-se em escatologia. Fora das ciências humanas, também tem como hobby o estudo de astronomia e cosmologia, além de história e ciência política. Mesmo com tantos aspectos aparentemente difusos, ele consegue encontrar harmonia no significado que dá a todos eles e as devidas ligações que constrói para desenvolver seus artigos com base nesses assuntos.Trabalha atualmente na área de atendimento ao cidadão e é editor do blog Celentor.com.