Não sabe jogar pela democracia: Rede quer que a justiça haja como força autoritária de sua vontade.

Hoje foi um dia importante para a base governista no Senado. A reforma trabalhista foi aprovada mesmo em meio à uma série de protestos de Senadores da oposição. Porém nesse post eu falarei não da reforma, mas do partido Rede Sustentabilidade, o partido de marina Silva, pré candidata á Presidência da República em 2018, profetiza da floresta e entidade espiritual que aparece somente em momentos de eleição.

Não é a coisa mais incomum do mundo ler-se que “a Rede entra com mandato de Segurança no Supremo”, “a Rede pede ao Supremo para que…”, ” a Rede recorre à justiça”, etc. E com a vitória governista nessa terça feira (11), alguém duvida que a qualquer momento eles entrem com algum processo contra a decisão do Senado?

O partido é incrivelmente pequeno, contando com nada menos que um senador, Randolfe Rodrigues (as vezes mais petista que Gleisi Hofman e Lindemberg Farias juntos), e quatro deputados federais,  Aliel Machado, João Derly, Miro Teixeira e Alessandro Molon, este último quase um novo repórter do Jornal Nacional da TV Globo, tamanha é a frequência com a qual concede entrevistas ào jornalístico. Mesmo assim  tem a fome autoritária de um grande partido.

Como dizem, se não consegue ser ouvido, grite. A Rede leva esse conceito ao pé da letra.  O partido estampa notícias aos montes onde eles ganham protagonismo simplesmente por ingressarem com ações sobre ações, sempre que algo que não concordam é feito pelos partidos governistas. Contudo essa atitude pode ser confundida com o ato legítimo de recursos judiciais, para cair no que é tão somente  conhecido como “xicana jurídica”.

O que se compreende, é que a Rede não aciona os tribunais por querer ver a justiça sendo feita. Sua intenção é literalmente “apelar a quem pode mais”. A intenção é usar o lado autoritário que possui a justiça para fazer valer o posicionamento do partido. Algumas vezes eles acham um juiz de visão semelhante, mas outras vezes seus pedidos são negados. O que não se pode concordar, é que a Rede Sustentabilidade torne válido a judicialização dos processos democráticos.

Parece que não conseguem jogar o jogo da política. Sempre apelando para que juízes legislem. Isso não é saudável, principalmente para um país que enfrenta  a grave crise política que enfrentamos.

A última que li, foi que o quase parceiro de bancada do William Bonner, Alessandro Molon, irá pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) medida contra as mudanças feitas pelo Governo na composição dos membros da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), a Comissão que avalia a admissibilidade do processo contra o presidente Michel Temer (PMDB). Segundo o ele, o Governo tem trocado membros dos partidos da base que não manifestam apoio ao Presidente por outros de posicionamento mais claro.

Onde ja se viu em uma democracia, apelar á justiça para evitar que políticos pratiquem ações políticas?

Se são deputados da base, se é prerrogativa da liderança dos partidos escolherem quem os representará em qualquer comissão, como isso pode ser ilegal? Como pode ser ilegal que os líderes troquem deputados que não são fiéis ao posicionamento do Governo, já que estão ali por serem Governo? Se estão do lado da oposição, que façam parte dos partidos de oposição.

Seria diferente se em vez de deputados da base, fossem trocados deputados de partidos da bancada adversária. Apesar que impossível acontecer, se ocorresse, seria arbitrário e portanto ilegal.

Mais um pedido que irá tomar possivelmente o tempo de um ministro do Supremo, que poderia julgar algo realmente relevante, para resultar numa resposta simples. Os Poderes da República são Soberanos e harmônicos entre si, não podem interferir em questões que são pertinentes única e exclusivamente  aos seus. Se fosse eu a emitir uma resposta mais clara a Alessandro Molon, diria “Meu caro, não sabe ser político, vá ser artista da TV Globo. Afinal apesar de não serem, adoram falar com propriedade do assunto e ainda ficam bem  na mídia”, não é Letícia Sabatella?

Eu  não me surpreenderia se a Rede ingressar com mais pedidos sobre a reforma trabalhista, alegando qualquer outra história que surgir na mente do também ‘televisivo’,  Randolfe Rodrigues. Seja como for, não faltará oportunidades para que o partido mostre sua incapacidade de lidar com o jogo político e achar que a democracia não é uma boa maneira de governar.

Karlos Souza

Nascido em Montes Claros/MG em Janeiro de 1987, morador de brasília desde 2004, estudou Letras e literatura, mas sua paixão sempre foi a tecnologia. Fazendo um pouco de tudo, Karlos estudou também teologia e aventurou-se em escatologia. Fora das ciências humanas, também tem como hobby o estudo de astronomia e cosmologia, além de história e ciência política. Mesmo com tantos aspectos aparentemente difusos, ele consegue encontrar harmonia no significado que dá a todos eles e as devidas ligações que constrói para desenvolver seus artigos com base nesses assuntos.Trabalha atualmente na área de atendimento ao cidadão e é editor do blog Celentor.com.