Juiz de brasília autoriza psicólogos a curarem homossexualidade. Esqueceram de contar para ele que homossexualidade não é doença.

Eu tenho falado há meses que inauguramos no Brasil um momento jurídico inédito. E de fato a cada dia temos maiores evidências disso. O juiz federal da 14ª Vara do Distrito Federal Waldemar Cláudio de Carvalho concedeu liminar que abre brecha para que psicólogos ofereçam a terapia de reversão sexual, conhecida como ‘cura gay’, tratamento proibido pelo Conselho Federal de Psicologia desde 1999. A decisão atende a pedido da psicóloga Rozangela Alves Justino em processo aberto contra o colegiado, que aplicou uma censura à profissional por oferecer a terapia aos seus pacientes. Segundo Rozângela e outros psicólogos que apoiam a prática, como o ícone anti-gay Silas Malafaia, a Resolução do C.F.P. restringia a liberdade científica.

Será? Seria uma grande restrição científica impedir que psicólogos fizessem uma pessoa cançada do racismo que sofre na sociedade, se convencer de que é de uma cor diferente?

O fato, caro leitor, é que com a extrema falta de bom senso, noção de leis e sabedoria de cuidar de suas atribuições, alguns juízes se pensam como verdadeiros deuses da verdade. Com o poder que a caneta lhes confere, eles podem simplesmente trazer de volta à prática um conceito medieval como a cura gay, e o pior é contar com a colaboração veemente de pessoas com a mentalidade talvez bem mais tolhida.

Com a devida vênia, essa foi a decisão mais sem nexo que um juiz brasileiro já tomou . Vence inclusive de bloquear o WhatsApp. Como um magistrado que tem sob sua responsabilidade cumprir as leis e a Constituição, não conhece isso?

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

Mas além disso, que deveria estar em sua mesinha de cabiceira. Já que queria tomar decisões ligadas à área de saúde mental, talvez caberia o doutor ler um pouco. Quem sabe ler o que a Organização Mundial da Saúde diz sobre o assunto? Seria um começo necessário. A OMS retirou a homossexualidade do catálogo Internacional de Doenças em 1990, o que demorou até demais. Sendo assim, considerando que a homossexualidade não é uma doença, é plenamente razoável compreender que terapias que promovam a cura da homossexualidade, seja a mesma coisa que submeter alguém heterossexual para uma espécie de cura, afim de “torná-la” homo.

E foi exatamente por princípio análogo que o Conselho Federal de Psicologia proibiu o tratamento de reverção sexual, assumindo o tratamento degradante que se impunha à psiquê dos pacientes. Fazendo-o crer que sua condição sexual seria passível de cura, quando não é esse o fato, agiria contra  a essência da saúde, que depende fundamentalmente de fatos, não de achismos ou ideologias.

Pessoas que estão em sofrimento por serem homossexuais não podem ser iludidas de que sua condição possui cura. Não existiu. E note bem caro leitor. Nunca existiu nenhum único caso comprovado cientificamente de pelo menos uma pessoa que tenha sido sexualmente revertida após tratamento. Seja com terapia, seja com uso medicamentoso ou mesmo usando métodos alternativos, como a famigerada lobotomia, terapia de choque, entre outras.

Submeter pessoas à tal feito  é no mínimo desumano. É encher familiares e o próprio paciente de esperanças que  no fim resultarão em mais frustração. O que definitivamente é o que um profissional da área de saúde mental precisa justamente evitar.

Não se pode curar o que não é doença. É o princípio mais básico da medicina. Como curar uma pessoa indígena de sua cor? Como curar uma pessoa alta de sua estatura? Como curar uma pessoa de olhos azuis da cor de seus olhos? De que maneira se cura uma pessoa que gosta de verde ao invés do vermelho? São coisas que não possuem cura. E não possuem por não serem doenças. São exatamente o que são, manifestações da diversidade da natureza.

Qualquer maluco, para não dizer outra coisa, que tiver dentro de si preconceitos inconfessáveis, irá usar desse pretexto da liberdade científica para começar a atacar o que acredita ser errado, pecaminoso, anormal, diferente ou inviável. E a psicologia não tem a  função de curar homossexuais nem heterossexuais. A função é permitir aos seus pacientes uma aceitaçãoe  auto-compreensão  mais frustração e sofrimento.

Vejamos se o SUS irá providenciar tratamento á todas as espécies de animais, incetos e aves que manifestam algum tipo de grau de homossexualidade em seu seio. Caso contrário, esses bichinhos vão perder a moda.Parabéns Dr. Waldemar, que tal multar a gravidade?? Já que ela andou derrubando bilhões de pessoas de precipícios por aí, desde que o mundo é mundo…

 

Karlos Souza

Nascido em Montes Claros/MG em Janeiro de 1987, morador de brasília desde 2004, estudou Letras e literatura, mas sua paixão sempre foi a tecnologia. Fazendo um pouco de tudo, Karlos estudou também teologia e aventurou-se em escatologia. Fora das ciências humanas, também tem como hobby o estudo de astronomia e cosmologia, além de história e ciência política. Mesmo com tantos aspectos aparentemente difusos, ele consegue encontrar harmonia no significado que dá a todos eles e as devidas ligações que constrói para desenvolver seus artigos com base nesses assuntos.Trabalha atualmente na área de atendimento ao cidadão e é editor do blog Celentor.com.