Joesley quer alterar o power point do Dallagnol: Empresário acusa Temer de ser chefe da quadrilha mais perigosa do país.

Provavelmente você já deve ter recebido a matéria realizada pela revista Época em entrevista com o empresário mais honesto desse país, Joesley Batista. Recentemente eu tenho falado tanto desse senhor nesse blog, que passo a sensação de ser um defensor veemente do Governo michel Temer. E não é para menos, afinal, eu aponto os excessos do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, do ministro relator da operação lava Jato, Edson Fachin, e do Santo Procurador da República, Deltan Dallagnol. E não falei mal do Presidente até este momento. Entendo se vocês acharem isso. Mas eu não preciso falar de cachorro morto (expressão da minha terra para referir-se a alguém que está em uma situação crítica e/ou sob ataque). Não é o momento de criticar ele. Isso vocês acham em qualquer site ou blog por aí. Se vocês vem ao meu blog, é para ler além do comum, informar-se com o que não aparece em todo lugar. Então, vamos a nossa notícia e crítica de hoje:

Antecipo-me informando aos desavisados, que minha preocupação não é Temer, Dilma ou qualquer político. Minha preocupação é que o devido processo legal seja respeitado e aplicado da maneira correta. Dito isso: Se ainda não leu a notícia sob as declarações de Joesley, clique nesse link.

É meu caro leitor, se você enxerga, ainda que pouquinho, o que se desenha nesse país, certamente deve ter percebido que Joesley não concedeu entrevista atoa. O empresário retornou ao país logo após o julgamento do TSE que deixou de cassar a chapa Dilma-Temer, e já chegou fazendo-se de vítima com família ameaçada.

Um dos homens mais poderosos deste país, com condições financeiras suficientes para proteger 20 famílias, vem ao país onde diz que a sua está sofrendo ameaça e dá entrevista a revista de circulação como Época? Tá ok, vamos acreditar nele. Afinal, se o Ministério Público acredita, quem somos nós para duvidar?

Após ter feito novo depoimento em acordo de delação [super] premiada que fez com o MPF, o empresário conversou com o jornalista Diego Escostegui da Época, e revelou suposto esquema que coloca Temer como o líder da organização criminosa “mais perigosa no país”, segundo palavras do próprio Joesley (acho que certas facções de traficantes discordariam, mas enfim…). A entrevista, de acordo com a revista, vinha de negociações de semanas, mas só foi concedida na manhã da última quinta feira (15/06). Na conversa que durou quase quatro horas, Joesley explicou ao jornalista os meandros da organização criminosa da qual participou, de como ele comprou políticos [mas misteriosamente o chefe era Temer], e de como Lula institucionalizou a corrupção no Brasil.

Capa da Revista Época.
Capa da Revista Época.

Lendo a historinha de Joesley eu me peguei pensando naquelas histórias onde a moça está apaixonada por um criminoso e ele só se aproveita dela. Você já deve ter visto em filmes ou em novelas baratos por aí. Sabe qual tipo de história estou falando. “Ah! Ele nem me olha, nem me nota. Só vem, pega meu dinheiro e sai. Me usa e só me chama quando quer algo de mim.” Deu pena dele em certos momentos. Até me emocionei e uma lágrima quase estava se formando.

“ÉPOCA – O chefe é o presidente Temer?
Joesley – O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites. Então meu convívio com eles foi sempre mantendo à meia distância: nem deixando eles aproximarem demais nem deixando eles longe demais. Para não armar alguma coisa contra mim. A realidade é que esse grupo é o de mais difícil convívio que já tive na minha vida. Daquele sujeito que nunca tive coragem de romper, mas também morria de medo de me abraçar com ele.”

 

E de repente Joesley deixa de ser o bandido que comprou quase 2.000 políticos, para ser a pobre vítima estorquida pelos criminosos sangue-sugas. Eu já imaginaria ele dizer que Temer mandou que capangas o obrigassem a dar propina para Cunha! E como num passe de mágica, uma das principais críticas dos juristas que enxergam falhas no acordo de colaboração feito entre o empresário e a turma de Janot, é solucionado!

A crítica consistia em que na lei que celebra os requisitos válidos para que a justiça permita tratar como “colaboração” um depoimento prestado de um integrante da quadrilha, é que: a –  Ele não seja o chefe da organização criminosa. b – Ele seja o primeiro a revelar as informações que permitam arrematar toda a organização. (ver lei nº 12.850/2013, Seção I,  § 4º, I e II)

Percebem o quão inteligente é o chefe de marketing policial de Joesley?

Se eu fosse só um pouco maldoso, e não sou, eu questionaria: Por que essas informações só surgiram agora? Se o ministério Público Federal, a PGR e o Rei de Copas Fachin, sabiam que Temer é o poderoso chefão, por que não soltar toda a bomba de uma só vez?

Ou também, eu poderia questionar o fato de que essa informação complementar só veio a público após uma nova seção de depoimentos do empresário. Não estou acusando ninguém. E é bom que fique claro. Mas que é estranho e suspeito que antes desse depoimento, Joesley estava calado para a imprenssa brasileira e internacional. Depois de seu novo depoimento, ele decide falar quatro horas com jornalista. Mas é mistério de um Brasil muito misterioso.

Novamente, se eu fosse de fato malicioso, eu questionaria: Como o empresário ficou tanto tempo sendo estorquido e assediado financeiramente calado? Quando viu as denúncias quando Lula e seus aliados surgirem, não teria sido mais fácil procurar as autoridades? Qual o sentido de esperar surgir um suposto boato ou até uma realidade, de que iria se abrir uma CPI para investigar a JBS?

Claro que essas questões que eu faria, se eu fosse alguém malicioso, não consideram o fato que Joesley e Saud, ou Ricardinho [como Joesley o chama] se diziam donos da maior bancada do Congresso nacional. Sendo assim, faria todo o sentido se colocar como uma vítima ao invés de chefe da organização. Além do que, toda organização criminosa tem um fim comum. A atividade ilegal com um objetivo único. No caso que Joesley narra, a quadrilha chefiada pelo poderoso Temer, tem como único objetivo irriquecer ilicitamente e arcar com campanhas. Ele, Joesley, pobre coitado, só pagava propinas aos políticos por um senso de caridade imenso e por pequenos incentivos fiscais. Dá tanto dó, não acha?

O fato de que Joesley pagava propina em troca de favores há esses quase 2.000 políticos não o torna o chefe da quadrilha. Não, pelo contrário. Segundo o que ele narra, ele era só mais uma vítima dos mafiosos liderados por Michel Temer.

O que você faria no lugar dele? Você é um empresário dono de uma das maiores empresas do mundo; Você tem a maior produtora de carne no planeta e fatura bilhões de dólares por ano; Está sendo sugado por um grupo de políticos brasileiros; qual sua reação? Ter medo, afinal não eles, com suas carreiras políticas e nome sujo, sofreriam danos caso você abrisse a boca e os expusesse. Não, sofreria as consequências você, se esses políticos que dependem de seu dinheiro, criassem dificuldades fiscais pra você no Brasil. Faz todo o sentido, não acham?

Pelo que li da matéria vinculada no site da revista Época, o qual disponibilizei o link acima, oJoesley narra uma história cheia de furos. Não há como saber se existem fundos de verdade ou se tudo ali é mentira. Não falo somente do que diga a cerca de temer e seus aliados, mas de todos, até do próprio PT. Que o grupo do qual o empresário é co-proprietário, tenha enriquecido com a ajuda mais que intensa do Partido de Lula, isso é inegável. Contudo é questionável que Joesley tenha  financiado PT e PMDB durante momentos em que os partidos demonstravam claras divergências. Qual o sentido de financiar e dar cobertura a investigados com inquéritos. Qual a razão de pagar pelo silêncio de pessoas presas durante o momento em que a Polícia federal já estava vasculhando as contas deles? Pontos da história de Joesley que não fecham.

O empresário é o chefe da quadrilha que ele mesmo criou. Seja qual fosse a intenção dos políticos que ganhavam propinas dele. Joesley os financiou e manteve o grupo coeso. Ele era a ligação entre os políticos e os partidos que alega ter beneficiado. Independentemente das razões pelas quais os corruptos tenham se vendido, Joesley e seu irmão os compraram. Se isso não é ser o chefe da organização, então eu não sei o que é.

Vou tentar ter acesso a reportagem completa na edição impressa da revista. Se lá tiver mais que o conto de assédio erótico-financeiro sofrido por Joesley, voltarei com acréscimos.

Como sabemos que deve ser mais ou menos essa a historinha com a qual o Ministério Público de Janot trabalha, podemos aguardar a qualquer momento uma denúncia do sr. Procurador Geral contra o Presidente com essas mesmas considerações. Espero também que o sr. Rodrigo Janot consiga expor as tais provas que Joesley diz ter. Caso contrário esse blogueiro aqui é cético e com razões óbvias.

Karlos Souza

Nascido em Montes Claros/MG em Janeiro de 1987, morador de brasília desde 2004, estudou Letras e literatura, mas sua paixão sempre foi a tecnologia. Fazendo um pouco de tudo, Karlos estudou também teologia e aventurou-se em escatologia. Fora das ciências humanas, também tem como hobby o estudo de astronomia e cosmologia, além de história e ciência política. Mesmo com tantos aspectos aparentemente difusos, ele consegue encontrar harmonia no significado que dá a todos eles e as devidas ligações que constrói para desenvolver seus artigos com base nesses assuntos.Trabalha atualmente na área de atendimento ao cidadão e é editor do blog Celentor.com.