Dallagnol mostra irritação com decisão de ministro do STF

O procurador pop star e chefe da força-tarefa da operação lava jato Deltan Dallagnol, manifestou-se em seus perfis nas redes sociais com bastante contrariedade à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello que concedeu ao senador Aécio Neves (PSDB) que retornasse às atividades no Senado. O político havia sido afastado pelo ministro Edson Fachin, relator da operação Lava Jato e de tudo mais que aparecer, logo após os vazamentos dos áudios gravados entre Aécio e o dono da verdade, Joesley Batista em Maio.

O procurador, que não é o único nessa moda, tem achado pertinente convocar a população à “fazer alguma coisa” afim de impedir que “forças que querem o fim da Lava Jato” obtenham êxito em seu intento. Dallagnol tem criticado desde ministros do Supremo, até o Presidente da República, sempre munido do discurso “anticorrupção”. Talvez realmente valha tudo para combater a corrupção? Não sei.

A pessoa Deltan, tem todos os direitos que qualquer outro cidadão brasileiro possui em manifestar-se. Isso assegurado inclusive pela Constituição. Mas até que ponto a pessoa está confundindo-se ao procurador da República? Esse sim extremamente restrito á eximir-se de causar constrangimentos tanto ao Ministério público quanto às demais instâncias do Estado. Me parece que o procurador, em seus perfisno Twitter e no Facebook não parece falar de sua vida pessoal, nem de mostrar-se como outra pessoa que não seja o funcionário público. Deste modo, o seus perfis que deveriam ser pessoais, tem sido usados como uma ferramenta para que o Procurador faça algo que lhe é impróprio, política.

Como eu disse, ele não é o único a fazer isso. Mas a notoriedade que tem dirigindo a coordenação policial mais importante até hoje, o coloca em maior evidência que os demais. Caberia falar sempre tendo em mente que fala pelo Estado Brasileiro, e que suas palavras influenciam à opinião pública sobre as instituições? O sábio diria que sim. Talvez para Dallagnol, a própria política seja a corrupção.

E não é isso que o procurador tem deixado transparecer em suas colocações cheias de ‘likes’ nas redes sociais? Que o senador tucano tratar com seus pares sobre a lei que abrange punições dos abusos praticados por  autoridades, aos olhos dele é tentativa de obstrução à justiça.

E nesses momentos eu não sei se me levanto e rio, ou se simplesmente finjo não ter lido.

Políticos fazem política! Se um senador for favorável por exemplo à descriminalização da maconha, ele certamente irá propor uma lei sobre, e irá tratar com demais senadores do tema. Quem em sã consciência irá prender esse político por tráfico de drogas, com a desculpa de que ele estaria tentando liberar o consumo da droga para que ele  próprio se tornasse impassível de ser preso?

Para Deltan, é isso que ocorre com a lei que pune abuso de autoridade. Se eu fosse malicioso, e certamente eu não sou, lembraria que essa analogia poderia ser razoavelmente aplicada também no sentido oposto. Alguém por exemplo, que se beneficia de práticas análogas à  abusos de autoridade, poderia de certo posicionar-se contrário à leis mais rigorosas nesse sentido. Somente uma abstrata cogitação.

Não é a primeira vez que o procurador critica uma atitude constitucional de um ministro do Supremo. Dallagnol expôs suas críticas e incentivou que seus seguidores pensassem de forma a crer que o ministro Gilmar Mendes estivesse tomando decisões com base em ligações políticas, e não com conhecimento técnico. E isso, caro leitor, é um equívoco muito grotesco. Isso ocorreu principalmente durante o julgamento da chapa Dilma-Temer no Superior Tribunal Eleitoral (TSE), Corte na qual Mendes é Presidente, e tem se repetido durante falas do ministro sobre o julgamento que tratou da delação premiada da JBS nas duas últimas semanas.

Será pedir muito que Deltan se concentrasse em ser procurador e não um formador de opiniões? Principalmente quando suas opiniões têm colocado em cheque para a sociedade decisões judiciais de ministros da mais alta Corte no país, além da moral de figuras públicas do Estado.?

Karlos Souza

Nascido em Montes Claros/MG em Janeiro de 1987, morador de brasília desde 2004, estudou Letras e literatura, mas sua paixão sempre foi a tecnologia. Fazendo um pouco de tudo, Karlos estudou também teologia e aventurou-se em escatologia. Fora das ciências humanas, também tem como hobby o estudo de astronomia e cosmologia, além de história e ciência política. Mesmo com tantos aspectos aparentemente difusos, ele consegue encontrar harmonia no significado que dá a todos eles e as devidas ligações que constrói para desenvolver seus artigos com base nesses assuntos.Trabalha atualmente na área de atendimento ao cidadão e é editor do blog Celentor.com.