Nadar para morrer na praia? Como a prisão de Joesley pode dar no mais absoluto nada.

Não é pessimismo mas quando se possui fatos evidenciando rumos diferentes que a realidade pode tomar, o ideal é justamente expô-los e tentar antecipá-los. Somente  assim é possível corrigir os erros do passado e evitar novos no futuro. Qual seria o erro agora? Pois bem, acreditar que a prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud, controladores da J&F não passam de uma mera cortina de fumaça. Lembre-se, Fachin autorizou a prisão temporária de ambos e negou a do ex-procurador Marcelo Miller. Existem caroços não explorados no meio desse angu e irei agora contar alguns deles:

O Proprietário Geral da República, Rodrigo Janot, não está em seu melhor momento. Contudo o chefe do Ministério Público da União tenta ao máximo tirar o foco de seus excessos pretéritos e novamente pôr o Presidente da República, Michel Temer (PMDB), como o bandido mór desse país. A ideia é justamente tirar a mídia do  encalço do senhor PGR, recentemente clicado num estabelecimento de requinte inexistente na periferia de Brasília, acompanhado por ninguém menos que pelo advogado Pierpaolo Bottini,, o defensor do delator super-premiado, Joesley Batista. O encontro ocorreu, ora vejam,no sábado, dia 09/09,  depois do último escândalo envolvendo a delação não menos escandalosa do empresário dono da JBS.

Rodrigo Janot se encontra com o advogado de Joesley Batista em boteco em Brasília.
Foto: Reprodução/O Antagonista

Uma notável coincidência? É possível. Porém qual a probabilidade de o Procurador Geral da República e o advogado  do polêmico delator Joesley Batista escolherem a exata mesma distribuidora de bebidas na periferia da capital federal, exatamente no mesmo horário? Ganhar na mega Sena teria maiores chances.

Ambos assumiram que houve um encontro mas que não trataram de assuntos ligados a questão que os une de certo modo, o delator super-premiado por Janot, Joesley Batista. Curiosamente um dia após o PGR ter pedido a prisão temporária do empresário,  e ao encontrar com o advogado desse empresário eles falaram  apenas sobre o tempo. Eu finjo que acredito.

Poucos deram por conta, mas o pedido de prisão temporária de Joesley, de Saud e do ex-procurador Miller, tem fatos ainda inexplicados. O mais elementar deles é por que não foi pedida a prisão preventiva, uma vez que existem gravações involuntárias de Joesley e Saud indicando que o então procurador Miller os alimentava com informações enquanto estreitava o laço dos empresários com o PGR. Mais do que isso, os áudios revelaram um possível intento dos delatores em usar um contato que possuem que os liga à ministros do Supremo afim de derrubarem também integrantes da Corte máxima da República. Demonstrando possível plano de obstrução à investigação. Caberia prendê-los preventivamente até que provas fossem coletadas.

A prisão temporária, ao contrário da preventiva, tem praso. Ela dura apenas 5 dias corridos podendo ser prorrogada por no máximo mais 5. Dessa maneira, é fácil perceber que existe sim fatos ocultos nessa história. E o segundo preponderante é o aceite dado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal e rainha de copas da República, Edson Fachin,  apenas no tocante às prisões de Batista e Saud e no indeferimento do pedido que se aplicava a Marcelo Miller. A pergunta nesse caso é “Por que??”.

O ex-procurador da República, marcelo Miller.
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Janot deveria ter pedido a prisão preventiva dos três, solicitou apenas uma temporária. Fachin, por sua vez concedeu apenas a dos empresários, mas negou a do ex-braço direito do Procurador Geral da República; o homem de confiança de Janot, Marcelo Miller. A grande questão é: Estaria o nobre ministro evitando que Miller sofresse penalidades em defesa não dele, mas de Janot?

Em minha opinião, não só há essa possibilidade, como até mesmo lendo o trecho do despacho emitido pelo ministro ainda no Sábado a noite que tentava elucidar as razões para negar a prisão do ex-procurador,  é possível se confundir ainda mais com o real motivo que fez com que o ministro tomasse a decisão.

“No que diz respeito a Marcello Paranhos Miller, ainda que sejam consistentes os indícios de que pode ter praticado o delito de exploração de prestígio e até mesmo de obstrução às investigações, não há, por ora, elemento indiciário com a consistência necessária à decretação da prisão temporária, de que tenha, tal qual sustentado pelo Procurador-Geral da República, sido cooptado pela organização criminosa.”

Traduzindo o texto acima em uma aanalogia simples, seria o mesmo que dizer que “Ainda que existam evidências que o gato pulou do telhado, ainda não há evidências de que o gato pulou do telhado.” Em outras palavras, falar muito para dizer nada.

É absurdo que nem mesmo o ministro Edson Fachin consiga explicar porque não quer ou não pode deter o ex-braço-direito de Janot. Bem como nem o próprio Rodrigo Janot pareceu querer de fato apurar as provas da evidente quebra do acordo de delação feita pelos executivos da JBS. Note, essa coisa toda explodiu na segunda feira, 04 de Setembro com a divulgação do conteúdo dos áudios dos delatores. As reações a isso vieram logo após a divulgação dos tais áudios periciados pela Polícia Federal. E já na ocasião Janot declarou a jornalistas que iria possivelmente rever o acordo de delação feito com a JBS.

Pouco tempo depois Janot declarou também que iria pedir ao Supremo a revisão do acordo juntamente com a prisão dos delatores. Sexta feira (08/09) ele fez isso. No Sábado a noite Fachin autoriza. E tão somente na segunda feira pela manha a PF vai até às residências dos empresários em busca de provas.

È lógico que tendo quase uma semana de informações que o acordo seria revisto, se provas haviam, Joesley e Ricardo Saud tiveram tempo suficiente para se livrarem.

O ministro do STF, Edson Fachin.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.

Na ordem de prisão expedida por Edson Fachin, o ministro deixava claro que  cumprimento do mandado judicial deveria ser feito com a “máxima discrição” e com a “menor ostensividade”.

Ele destacou ainda que, ao efetuar as prisões, a Polícia Federal deve “tomar as cautelas apropriadas”, especialmente para preservar a imagem de Joesley e Saud. Quanta generosidade! Não acham?

Obviamente há meses eu defendo neste blog que ninguém seja tratado como culpado antes mesmo que as investigações sejam concluídase o processo transitado em julgado. Contudo o que provoca um enorme interrogação em minhga mente é o ministro que não se importou com a imagem de ninguém até uma semana atrás, se importar tanto com o bom nome daqueles que disseram ter comprado políticos e facilitado encontros sexuais com os legisladores da república.

Foi entregue nessas questões que minha memória inquieta trouxe-me um fato que já abordei no blog, a não explicada relação entre Edson Fachin e o empresário Joesley Batista.

Fachin não deveria tomar nenhuma decisão sobre Ricardo Saud ou Joesley Batista. Deveria sim declarar-se impedido.

E a razão é simples. Tendo sido auxiliado pela influência do empresário na época em que dependia dos senadores para tornar-se ministro do Supremo, Fachin não tem a imparcialidade necessária para julgar questões relacionadas com os réus. Isso é evidente! Porém não compreendo porque nada foi feito.

Ao meu ver, essa preocupação humana do ministro em poupar o nome da família Batista no cumprimento da ordem de prisão, demonstra mais do que o próprio ministro já demonstrou por qualquer um dos réus por ele julgado no âmbito da lava-jato até hoje, inclusive Michel Temer, chefe do Poder Executivo, e Senadores da República. O que Fachin precisa explicar é em que Joesley Batista é melhor do que todos os outros. Tão melhor que merece um certo zelo até de tratamento pela polícia.

 

 

Karlos Souza

Nascido em Montes Claros/MG em Janeiro de 1987, morador de brasília desde 2004, estudou Letras e literatura, mas sua paixão sempre foi a tecnologia. Fazendo um pouco de tudo, Karlos estudou também teologia e aventurou-se em escatologia. Fora das ciências humanas, também tem como hobby o estudo de astronomia e cosmologia, além de história e ciência política. Mesmo com tantos aspectos aparentemente difusos, ele consegue encontrar harmonia no significado que dá a todos eles e as devidas ligações que constrói para desenvolver seus artigos com base nesses assuntos.Trabalha atualmente na área de atendimento ao cidadão e é editor do blog Celentor.com.