Câmara arquiva denúncia contra Temer. Entenda:

Eu sei que para uma parte considerável de meus leitores o resultado da sessão na Câmara que arquivou o processo de corrupção passiva contra o Presidente Michel Temer (PMDB) é injusto. Eu compreendo o ódio à política e aos políticos. Compreendo ainda a sensação de impunidade que tal situação aparenta aos que olham já sob a perspectiva do Brasil da injustiça. Contudo, apesar dos inúmeros vexames que assistimos na tarde desta quarta feira (02/08), o resultado final foi o mais acertado, pelo menos de acordo coma denúncia oferecida pelo Proprietário Geral da república, Rodrigo Janot.

Como explicar a uma população revoltada com a classe política que nem sempre a lei age conforme nossos ideais? Após um ESFORÇO incomparável do Ministério Público Federal (MPF), os eleitos pelo povo foram todos qualificados automaticamente com rótulos de larápios, corruptos e bandidos. De modo que se você defende o direito, quando esse está sendo agredido com pretextos de punir um político, compulsoriamente está a defender o próprio político, segundo a visão distorcida. E acaso esteja defendendo um político, é sinal que no mínimo você seja conivente com a criminalidade, com a corrupção e com a impunidade, isso quando não é semelhantemente equiparado a bandido. Uma inversão e extremismo facilitado pelo MPF que a muitos acusa, mas tem feito trabalho desleixado no tocante à obtenção de provas.

Como um órgão acusador, quer considerar-se eficiente quando sua ação se dá em dissonância com os princípios mais elementares da legislação? Leis que deveriam ser-lhe-ia o cerne de preocupação. Tem sido assustadoramente frequente que certos procuradores ajam com base exclusivamente em suas conjecturas de situações e reputações das pessoas. Quando na realidade, havendo indícios e motivos, o primeiro passo para o triunfo da justiça é procurar esclarecer os fatos, não nublá-los; alcançar provas, não justificar a ausência delas como um ato de que ou o criminoso seja muito hábil em ocultá-las, ou que ele as destruiu; deve agir em defesa da sociedade, não colocá-la em fúria.

Liderados po Janot, os procuradores excedem suas atribuições quando colocam nos ombros do povo e na sua alegada inércia em haver impunidade dos réus da Lava Jato. Na realidade, a existência de impunidades neste aspecto deve-se ao trabalho mau feito do órgão de acusação. Queira o povo ou não, se alguém, seja quem for, comete crimes e é acusado mediante apresentação de provas, e certa feita condenado por isso, essa pessoa é penalizada conforme a lei pede. De outro modo, como mesmo com a vontade popular, um juiz em sã consciência poderia prender alguém por que o promotor acredita que o réu seja culpado, tão somente com base na sua fé?

Todos os momentos em que você vê Carlos Fernando ou Deltan Dallagnol afirmando que o país precisa fazer algo contra a corrupção, saiba, caro leitor, que isso é puro proselitismo.  Você já carrega o país nas costas desde que se entende por gente. Quando paga seus impostos, você financia o Estado. Quando vota, você exerce sua democracia e escolhe o destino do país. Quando você fiscaliza os políticos e exige  que cumpram com as promessas de campanha, trabalhem bem e se portem com responsabilidade, você está sendo um cidadão modelo. No mais, NÃO  é função do Brasileiro promover a luta contra o crime, prender e nem julgar bandidos. A não ser que tenha qualificação para tanto, ao brasileiro comum, cabe trabalhar para seu mantimento e de sua família, seu lazer e seus direitos básicos, sem preocupar-se com o que ele já faz desde sempre: delegar pessoas para que façam isso.s

Atendo-me  ao resultado da sessão na Câmara, não foi uma decisão estúpida, mas a mais adequada tendo em vista a denúncia mal feita e pobre apresentada por Rodrigo Janot. Ainda que passasse da Câmara, seria obviamente derrubada tão breve chegasse ao Supremo tribunal Federal (STF). E isso deve-se ao fato de que o PGR efetuou uma acusação com base no depoimento prestado por um ex-bandido cuja inocência fora decretada pelo próprio procurador Geral. As pontas soltas das evidências risíveis que o PGR ofereceu, são solucionadas pelo depoimento do mais novo herói brasileiro, o dono da verdade e livre-leve-e-solto graças a Janot, Joesley Batista.

O que explica

Para Rodrigo Janot, o que torna o depoimento de Joesley Batista e Ricardo Saud crível, é possivelmente o desejo de derrubar o governo Temer afim de ressuscitar o PT.  Tão porco foi seu trabalho nesse processo, que nem a possibilidade da mala de dinheiro do rodrigo rocha Loures poder pertencer ao próprio Loures, foi cogitado pelo PGR e seus vassalos.

Como diria Lula: “Nunca antes na história desse país”, um processo de acusação criminal foi movido em período de investigação tão rápido, acusação tão veloz e apresentação da denúncia com tamanha agilidade. Das gravações realizadas por Joesley no Palácio do Jaburú até agora, com a apresentação e apreciação da denúncia  pelo Congresso Nacional, foram  4 meses. Imagine caro leitor, se o Ministério Público de Janot processasse todos os casos com tamanha agilidade? Será que processos como os de Renan Calheiros se arrastariam como temos visto? Nem mesmo o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que foi processo de crime de responsabilidade, não crime comum como se acusa Michel Temer, durou tão pouco tempo.

É inegável a vontade do Procurador Geral em derrubar o atual Presidente. Mas vai saber os motivos…

A lei não derruba Temer ainda, pois não existem provas que o liguem aos crimes dos quais o acusam. E o devido processo legal, como tenho dito, não pode cuvar-se à vontade popular. Se existe a vontade de derrubar Michel Temer, que haja provas para um processo de crime comum, ou mesmo de crime de responsabilidade. A mesma lei oferece mecanismos para remoção de um Presidente. O que é inaceitável, é que procuradores continuem acusando as pessoas em suas redes sociais, inflamando a massa a exigir da justiça que deixe de seguir a lei para que seus políticos odiados de estimação sejam punidos genericamente somente por serem políticos.

Seja Michel Temer, seja Luíz Inácio Lula da Silva, seja Dilma Rousseff, seja eu ou você. Nós queremos que a lei sirva para todos, e que não se curve nem aos que te amam, quanto mais aos que te odeiam.

Karlos Souza

Nascido em Montes Claros/MG em Janeiro de 1987, morador de brasília desde 2004, estudou Letras e literatura, mas sua paixão sempre foi a tecnologia. Fazendo um pouco de tudo, Karlos estudou também teologia e aventurou-se em escatologia. Fora das ciências humanas, também tem como hobby o estudo de astronomia e cosmologia, além de história e ciência política. Mesmo com tantos aspectos aparentemente difusos, ele consegue encontrar harmonia no significado que dá a todos eles e as devidas ligações que constrói para desenvolver seus artigos com base nesses assuntos.Trabalha atualmente na área de atendimento ao cidadão e é editor do blog Celentor.com.